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Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos do Brasil entra em vigor

Tarifa de 50% dos EUA sobre produtos do Brasil entra em vigor e afeta exportações de SC

A partir desta quarta-feira (6), entra em vigor a nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo ex-presidente Donald Trump em julho e marca uma nova fase nas relações econômicas e diplomáticas entre os dois países.

A decisão foi oficializada por meio de uma ordem executiva assinada em 30 de julho. O documento determina a elevação da tarifa de importação de 10% para 50%, sob a justificativa de que o governo brasileiro estaria prejudicando empresas americanas e violando direitos de cidadãos dos EUA.

Na prática, isso significa que produtos brasileiros vendidos por R$ 100 mil, por exemplo, agora pagam R$ 50 mil de imposto para entrar no território americano. A cobrança é responsabilidade das empresas importadoras nos EUA, mas o custo tende a ser repassado ao consumidor final.

O objetivo da tarifa é reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, favorecendo a produção local ou a importação de outros países.

Impactos imediatos em Santa Catarina

De acordo com Pablo Felipe Bittencourt, economista-chefe da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), os efeitos da tarifa já são sentidos no Estado. Houve diminuição de pedidos e redução de embarques, especialmente nos setores que dependem das exportações para os EUA.

A previsão da Fiesc é de uma perda de 0,3% no PIB catarinense em um período de até dois anos. Em uma economia que cresce cerca de 4% ao ano, esse impacto é significativo.

Os setores mais afetados são os de madeira, móveis, máquinas, motores, compressores, carnes, pescado e mel — muitos com produção quase 100% voltada ao mercado americano.

Segundo o economista, empresas já começaram a adotar medidas como demissões e férias coletivas. A consequência atinge toda a cadeia produtiva, inclusive os pequenos produtores que dependem dessas exportações.

Aumento de oferta no mercado interno pode reduzir preços

Outro reflexo da medida está nos preços internos. Como os produtos afetados não conseguem ser vendidos para os EUA, acabam sendo redirecionados ao mercado brasileiro. Isso deve gerar uma redução temporária de preços, especialmente em alimentos como café e frutas.

Apesar do alívio para o consumidor, a queda nos preços pode afetar negativamente os produtores e os setores de base, como o de máquinas e madeiras, além de prejudicar a balança comercial do Brasil.

Busca por novos mercados

Empresas catarinenses já estão tentando diversificar os destinos de suas exportações. Entidades como a Fiesc trabalham junto ao governo estadual para criar medidas fiscais e linhas de crédito que ajudem os produtores a contornar a crise.

Linha do tempo da tensão comercial

  • 9 de julho: Donald Trump anuncia a tarifa em carta enviada ao presidente Lula, publicada na rede Truth Social.

  • 30 de julho: Trump assina a ordem executiva, oficializando a tarifa de 50%.

  • 6 de agosto: A medida entra em vigor. No mesmo dia, os EUA aplicam a Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, bloqueando seus bens e restringindo transações com empresas e cidadãos americanos.

Produtos que escaparam da tarifa

Apesar da medida abrangente, uma lista de cerca de 700 produtos foi isentada da nova alíquota. Entre eles:

  • Setor aeronáutico: aeronaves, peças e motores (beneficiando a Embraer);

  • Setor automotivo: veículos leves e peças;

  • Energia: carvão, petróleo, gás, lubrificantes e energia elétrica;

  • Parte do agronegócio: suco de laranja, castanha-do-brasil, madeira tropical, polpa de madeira e fertilizantes;

  • Mineração e metais: ouro, prata, alumina, silício, ferro, aço e cobre;

  • Eletrônicos: smartphones, antenas e aparelhos de som;

  • Bens em trânsito, uso pessoal e doações.

O que continuará tarifado

A lista de produtos que seguem com a tarifa de 50% inclui:

  • Café

  • Carne bovina

  • Frutas

  • Produtos têxteis

  • Calçados

  • Móveis

Situação de SC é crítica

A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, destacou que a maioria dos principais produtos exportados por Santa Catarina — como móveis e derivados de madeira — não foi incluída na lista de isenções.

Enquanto a investigação americana não é concluída, esses produtos seguem tarifados, o que agrava ainda mais a crise nas indústrias exportadoras catarinenses.

Conclusão

A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros representa um desafio significativo para a economia nacional — especialmente para estados fortemente exportadores como Santa Catarina. A medida amplia as tensões políticas entre os dois países e exige respostas estratégicas por parte do governo e das entidades de classe para mitigar os impactos no setor produtivo e nos empregos.

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