Sobretaxa de 50% dos EUA Sobre Produtos Brasileiros Preocupa Setores e Governo
A tarifa extra de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em vigor na última quarta-feira (6) e já provoca apreensão entre especialistas e setores do comércio exterior. Os primeiros dados oficiais sobre as exportações brasileiras após a medida serão divulgados na segunda-feira (11).
Impacto Inicial no Mercado
O presidente-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirmou que será possível medir com mais clareza o impacto quando o balanço das exportações dos primeiros dias de taxação for divulgado. Mesmo sem números oficiais, ele já classifica o cenário como “não favorável”.
A sobretaxa atinge cerca de 36% das exportações brasileiras para os EUA, o que equivale a aproximadamente US$ 14,5 bilhões em 2024. Segundo Castro, na última semana de julho, antes da medida entrar em vigor, já havia sinais de desaceleração: a média semanal de exportações, que vinha sendo superior a R$ 1,4 bilhão entre março e julho, caiu para esse valor exato, mostrando que “o fôlego estava acabando” e que a tendência agora é de queda no preço e no volume comercializado.
Os produtos perecíveis estão entre os mais preocupantes neste momento. Peixes já estocados, frutas prontas para colheita e mel, que teria como destino o mercado norte-americano, podem sofrer perdas rápidas caso não sejam escoados a tempo.
Plano de Contingência do Governo
Diante do cenário, setores produtivos e o governo brasileiro estudam estratégias para amenizar os impactos imediatos e de longo prazo da nova tarifa. A alíquota sobre cada produto exportado afeta de forma distinta até mesmo segmentos internos de um mesmo setor, exigindo soluções específicas para diferentes empresas.
O governo federal prepara um plano de contingência que deve ser apresentado ainda nesta semana. As medidas estudadas incluem:
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Apoio a pequenas e médias empresas.
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Linhas de crédito especiais.
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Adiamento da cobrança de tributos e contribuições federais.
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Compras públicas de mercadorias perecíveis.
Visão de Especialistas
Para a economista Carla Beni, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), “o peso do problema será o peso do Estado para resolvê-lo”. Ela cita reportagem da revista britânica The Economist, que considera as tarifas de Trump mais como uma ameaça do que como um impacto real e imediato.
Já Robson Gonçalves, também economista da FGV, defende que as medidas do governo precisam ser bem alinhadas para realmente atender empresas afetadas pela elevação da tarifa. Ele ressalta a necessidade de uma política de médio e longo prazo voltada à diversificação das exportações.
Gonçalves também destaca que o Brasil historicamente não possui uma política de comércio exterior forte e articulada, mas que a situação atual exige a adoção de uma postura mais agressiva e estratégica nesse campo.