Os Estados Unidos voltaram a direcionar sua atenção ao Brasil após o presidente Donald Trump aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos da Índia, em resposta à continuidade da importação de petróleo russo, apesar das sanções internacionais contra Moscou desde a invasão da Ucrânia. A movimentação levanta preocupações sobre possíveis medidas similares contra o Brasil, que aumentou significativamente a compra de diesel russo nos últimos anos.
Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Brasil aumentou em mais de 6.000% a importação de óleo diesel da Rússia. Apenas em 2024, essas compras somaram US$ 5,4 bilhões (cerca de R$ 29,4 bilhões), segundo dados da ONU (Comtrade).
Queda nas importações dos EUA
Em 2022, os Estados Unidos eram responsáveis por 57% do diesel importado pelo Brasil. Já em 2024, essa participação caiu drasticamente para 17%. No mesmo período, as compras brasileiras de diesel da Rússia saltaram de 101 mil toneladas para 6,1 milhões de toneladas.
Embora o Brasil tenha importado apenas US$ 77,5 milhões em petróleo bruto russo este ano, o volume de diesel atingiu um recorde histórico. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) afirma que 65% de todo o diesel importado pelo Brasil atualmente vem da Rússia.
Relação diplomática
Apesar do risco de sanções ou retaliações comerciais, o presidente Lula ainda não entrou em contato direto com Donald Trump para tratar da questão. Em entrevista à agência Reuters, Lula afirmou que “presidente da República não pode ficar se humilhando para outro”, justificando a ausência de diálogo com o governo norte-americano.
O governo brasileiro declarou que o vice-presidente Geraldo Alckmin, além dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores), estariam atuando em possíveis negociações. No entanto, até o momento, não há confirmações de tratativas formais com os EUA.
Tensões internas e manifestações
Enquanto isso, o clima político interno no Brasil continua tenso. Durante protestos realizados em Brasília na terça-feira (5), vendedores ambulantes aproveitaram para vender camisetas com frases como “Fora Xandão” e “Impeachment Já”, em referência ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Na Câmara dos Deputados, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) enfrentou críticas por tentar conter manifestações da oposição, inclusive determinando o desligamento das luzes e a retirada de jornalistas e assessores do plenário após as 22h.
Parlamentares de oposição também ocupam espaços alternativos da Casa, como o auditório Nereu Ramos, após suspeitarem de manobras para esvaziar os protestos.
Apoios e críticas
O pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes ganhou mais apoio, incluindo o do senador Efraim Filho (União-PB). Nas redes sociais, o vereador Jair Renan Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, pressionou o senador Romário (PL-RJ) a se posicionar favoravelmente ao pedido.
Reflexão final
Diante do aumento das tensões comerciais e diplomáticas, cresce a expectativa sobre os próximos passos do governo brasileiro e possíveis desdobramentos nas relações com os Estados Unidos.